2019 é o ano de ganhar dinheiro na Bolsa?

Por em 14 de janeiro de 2019

O índice Ibovespa, principal indicador do mercado acionário nacional, está para lá dos 90 mil pontos. Perto do Natal, oscilava na casa dos 86 mil pontos. Ou seja, uma valorização de 7% em pouco mais de uma semana (o equivalente a uns 30% no período de 1 mês). A alta retumbante já está levando muitos pseudoanalistas a vaticinarem que esse será o ano da Bolsa, que recordes serão quebrados um após o outro, que manter dinheiro nas aplicações tradicionais é tolice… Será verdade?


Motivos aventados para explicar o bom desempenho das ações: juros domésticos baixos, crescimento econômico mundial mais sólido, perspectivas de reformas econômicas liberalizantes. Na hora do otimismo, pouca gente lembra que os juros domésticos não vão cair mais, o crescimento mundial pode não vir (há risco de guerra comercial e risco de que o crescimento forte dos Estados Unidos seja passageiro, associado ao corte de impostos) e as reformas podem não sair.

Certamente é possível, sim, que a Bolsa continue a subir e que esse seja um ano bom para as ações. Mas segue um aviso aos navegantes embriagados pelo otimismo: a Bolsa também pode andar de lado ou até mesmo estar abaixo de 92 mil pontos do dia 30 de dezembro. Nós simplesmente não sabemos o que vai acontecer —simples assim.

É muito difícil prever o preço das ações num futuro próximo. Estatisticamente falando, o melhor palpite possível para o dia 31/12 é o valor que você vê hoje na telinha do computador. E amanhã, qual seria a melhor previsão? Amanhã, o chute mais razoável para o Ibovespa de fim de ano é o valor dele amanhã. Sim, é desalentador, mas é o que nos revela a análise mais cuidadosa dos números. Não tem mágica.

POR QUE É TÃO DIFÍCIL PREVER O CURSO DE AÇÕES?

A velocidade com que informações sobre o estado da economia e das empresas são incorporadas nos preços. Quando sai uma informação que favorece o ativo A, rapidamente os agentes de mercado aumentam a demanda por A (possivelmente com recursos oriundos da venda do ativo B); assim, a “boa nova” é incorporada ao preço de A quase que instantaneamente, tornando muito difícil lucrar com sua compra (ele vale mais, de fato, mas também custa mais caro).

A bem da verdade, a história é talvez um pouco mais complexa. Há fricções nesses mercados e há também vícios e manias de natureza humana que tornam esse mecanismo de ajuste imperfeito. Mas, de todo modo, é uma boa descrição. Assim, a lição de humildade segue valendo: se você está se achando muito esperto ao comprar uma determinada ação, pergunte-se por que mesmo só você percebeu que ela está muito barata…

Para prazos longos, os dados das economias desenvolvidas (não temos uma série longa para o Brasil) sugerem que a Bolsa de Valores tende a render mais que um investimento em títulos públicos. Mas, apesar do retorno médio ser mais alto, sua variabilidade é também muito elevada, com muito sobe e desce.

Muita gente se chamusca na Bolsa por agir intempestivamente, olhando só o curto prazo, influenciado pelo desempenho da Bolsa no último mês. Aí a pessoa tende a comprar na alta (porque esse é o momento do otimismo) e acaba muitas vezes vendendo na baixa (não é nada fácil ver seu investimento diminuindo de um trimestre para o outro; parece que a queda nunca vai ter fim, melhor tirar tudo de lá). Tudo errado!

Faz sentido ter parte da sua poupança em forma de ações? Sim, totalmente, ao menos uns 30% (a depender de seu apetite por risco). Faz sentido achar que você vai ter um ganho fácil, livre de riscos, que tudo agora são mil maravilhas porque o novo governo vai consertar a economia do país e o mundo não passará mais por crises econômicas? Não, de modo algum.

COLUNA PUBLICADA PELA FOLHA DE S.PAULO

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