Dólar decolando, mercado pegando fogo... O que aconteceu? | Por quê? - Economês em bom português
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Dólar decolando, mercado pegando fogo… O que aconteceu?

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07/06/2018-13:09 - Atualizado 07/06/2018 17:15

Os mercados andam estressadíssimos nestes últimos dias. Mas não é de hoje a tendência de piora nas expectativas das pessoas sobre o futuro econômico do Brasil. Como mostra o gráfico do câmbio, já faz uns belos dois meses que a temperatura vem subindo.

dolar real

O gráfico começa no Ano-Novo e vai até quarta-feira, 6. Como se diz nas mesas de operação dos bancos, o câmbio andou uns 20% em pouco tempo, encarecendo sua viagem para o exterior e suas compras na Amazon…

Não se trata apenas de sustos aqui nos trópicos, mas a disparada do dólar tampouco se explica baseada apenas, ou eminentemente, em fatores externos. Em relação a esses últimos, o fator de peso é que a economia norte-americana está surpreendendo pelo seu vigor. O desemprego miou geral, sumiu, escafedeu-se, o que indica alguma inflação adiante, ali na esquina; isso, por sua vez, sinaliza uma taxa de juro mais alta na terra do Tio Sam. O que isso tem a ver conosco? Ora, com juros mais altos lá, as pessoas daqui, de lá e de acolá correm para o dólar. Para aproveitar. Além disso, os argentinos estão gerando algum suspense. Mesmo antes de a Copa começar, os caras já estão em crise. As contas públicas lá foram para o saco e o encantamento com o Macri murchou. O príncipe sapo.

Internamente, a fogueira esquentou geral e nem precisou de sopro externo. O combustível foi… com o perdão do trocadilho, o combustível. Mas não somente ele, e não apenas pelo impacto direto da paralisia desses dias de guerra. O que está assustando os mercados é o ressurgimento do nunca extirpado populismo econômico – tablitas, congelamentos, chantagens e “quetais” – que medra desimpedido no solo fértil de um governo frágil, acusado, acuado, terminal.

Ah, temos também a política, é claro. De que adianta ter lá uma baita equipe econômica agora, se tem eleição já, já? Quem ouve alguns dos candidatos que lideram a peleja e/ou seus assessores econômicos tem bons motivos para ficar com medo. O que faz o cidadão assustado? Compra dólares.

A tensão não vai se dissipar não, palpitamos. Talvez dê uma molezinha nos dias da Copa. E esquece, não tem muito o que o Banco Central possa fazer. Se as pessoas acham que o Brasil pode ir para o desgoverno, bye-bye. O remédio tem que estar colado no diagnóstico. O que está rolando não é um pânico injustificável, para o qual um BC bombeiro, armado de mangueiras de dólares, seria a prescrição ideal. O pânico é, infelizmente, bem justificável: temos uma situação fiscal hiperfrágil e um bom número de populistas na corrida presidencial. Aperta o cinto aí!

 

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