Greve dos caminhoneiros: por que o governo cedeu?

Por em 24 de maio de 2018

A alta no preço dos combustíveis, fruto da combinação da alta do dólar e do preço do petróleo, causa um mal-estar visível. De repente, nos sentimos mais pobres cada vez que enchemos o tanque no posto de gasolina. O pior de tudo: esse o sentimento vai na direção certa. De fato, quando o preço do petróleo sobe e o real se desvaloriza, ficamos realmente mais pobres.

Essa é uma realidade desagradável — e a forma como lidamos com realidades desagradáveis é que é o X da questão.

A indústria de frete rodoviário (os caminhoneiros) está espremida entre duas realidades desagradáveis. Por um lado, a alta no preço do diesel aumenta seus custos. Por outro, esse setor ainda sofre os efeitos da intervenção desastrada feita pelo governo anterior, que subsidiou a compra de caminhões e provocou um aumento da oferta de caminhões maior do que a demanda poderia satisfazer.

Mas os caminhoneiros resolveram lidar com suas realidades desagradáveis da pior maneira: chantageando o resto do Brasil com o bloqueio de estradas e espalhando o medo do desabastecimento.

É uma infelicidade que essa chantagem seja bem-sucedida. Um governo menos frágil e mais confiante talvez tivesse autoridade para desbloquear estradas e garantir o abastecimento da população. Não é esse o caso do governo atual.

Neste cenário, políticos oportunistas logo tentaram receber o crédito pela solução do problema dos caminhoneiros. Tentando reduzir o dano, o governo tenta negociar a solução do problema em conjunto com a suspensão das desonerações fiscais, herdadas do governo anterior. É uma solução menos ruim, é verdade, pois as desonerações fiscais custam caro, e não há evidências de que tenham tido algum efeito positivo à economia.

Mas a lição que fica é: a chantagem compensa. Essa é uma péssima notícia num país que precisa de uma agenda ampla de reformas para escapar de uma catástrofe fiscal anunciada. Muitos grupos terão que lidar com realidades desagradáveis a partir do ano que vem, não importa quem for eleito para a Presidência.

 

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