Maiores goleadores, maiores salários? A produtividade dos atacantes no Brasil | Por quê? - Economês em bom português
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Maiores goleadores, maiores salários?
A produtividade dos atacantes no Brasil

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13/11/2017-17:11 - Atualizado 13/11/2017 17:44

Trabalhadores mais produtivos ganham mais? Há diversas histórias que conectam essas duas variáveis – salários e produtividade – na teoria econômica.

Por um lado, um empregado mais produtivo contribui para aumentar o lucro de seu empregador, o que faria com que companhias estivessem dispostas a pagar mais para contratá-lo. Por outro, trabalhadores mais bem remunerados têm maior motivação para produzir. Além disso, como temem perder um bom emprego,  fazem mais esforço para evitar uma eventual demissão.

Uma matéria do jornalista esportivo Jorge Nicola, no Yahoo Esportes, trouxe dados sobre o salário e o número de gols marcados este ano pelos camisas 9 da Série A no futebol brasileiro (veja dados na tabela a seguir). Com base nisso dá para checar se a relação entre salário e produtividade faz sentido nesse contexto.

RANKING SALARIAL

Afinal, a principal função de um atacante é fazer gols. O número de gols marcados forneceria, assim, uma medida da produtividade desse trabalhador.

Os dados são usados para construir o gráfico a seguir. No eixo horizontal está o salário em milhares de reais, e no eixo vertical o número de gols marcados. Cada ponto é um jogador (para identificar os respectivos atletas, use os números listados na tabela acima).

 

CORRELAÇÃO ENTRE SALÁRIO E GOLS

A linha de tendência (em rosa) é a reta que melhor se aproxima da nuvem de pontos. Note que ela é ascendente. Ou seja, atacantes mais produtivos (com mais gols) tendem, em média, a receber remunerações mensais mais altas.

A equação da linha de tendência nos fornece uma ideia quantitativa dessa relação entre as duas variáveis. Por exemplo, um salário mais alto em R$ 100 mil estaria associado a quantos gols a mais em média? No caso, a equação estimada com base nos dados é:

Gols = 7,82 + 0,02 × Salário

Isso implica que, apesar da relação estimada ser claramente positiva (mais salário, mais gols), sua magnitude estimada é pequena: uma remuneração R$ 100 mil mais elevada está associada a 0,02 × 100 = 2 gols em média a mais!

(Para obter essa estimativa, é só multiplicar o coeficiente da variável salário na equação – 0,02 – pela variação no  remuneração. No caso essa variação é 100, pois a variável salário está em milhares de reais).

Muita calma, porém, com a interpretação dos resultados: eles servem apenas para ilustrar uma correlação, que é consistente com a ideia de que pessoas mais produtivas recebem salários mais altos. Mas ela não permite elaborar nenhum argumento de causalidade, ou seja, não dá para afirmar que, se um clube der um aumento de R$ 100 mil a seu centroavante, conseguirá em média dois gols a mais na temporada.

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