O Brasil poupa pouco – e daí?

Por em 6 de agosto de 2018 , atualizado em 7 de agosto de 2018

O Brasil é um país que poupa muito pouco, como mostramos nos gráficos a seguir. Mas isso é necessariamente ruim?

Bom, antes de mais nada, é preciso botar números nas frases, por mais antirromântico que isso possa parecer. O que exatamente precisamos levar em conta quando falamos que o Brasil poupa pouco?

Primeiro, o que importa é a poupança nacional como proporção do PIB. Afinal, mesmo poupando pouco, nossa poupança total é dezenas de vezes maior do que a do Uruguai, por exemplo, simplesmente por sermos uma economia muito maior – mas não mais rica.

Segundo, e menos óbvio: a poupança de um país depende muito da sua estrutura etária; portanto, afirmações sobre poupanças altas ou baixas precisam levar em conta esse fator. Países jovens tendem a poupar mais que países nos quais a população idosa é mais representativa numericamente.

O motivo é quase óbvio: os aposentados estão ocupados em gastar o que acumularam durante a vida.

Eles queimam seus ativos para consumir, enquanto os jovens adultos estão, ou deveriam estar, guardando para o futuro dos filhos e de si mesmos, e/ou ralando para pagar a casa própria (ou seja, adquirindo ativos).

Mas vamos aos dados. O primeiro gráfico mostra a relação entre estrutura etária e poupança para mais de cem países do mundo. Já o segundo usa essa relação para computar quanto a poupança nacional do Brasil e de outros países está acima ou abaixo do patamar “devido”. No nosso caso, fortemente abaixo!


Poupar pouco, claro, tem um lado bom: você consome mais da sua renda agora! Mas claro que não sai de graça, como bem sabe a cigarra da fábula: o futuro alguma hora chega (ou não!).

Em termos macroeconômicos, a baixa poupança doméstica implica investimento menor e menor crescimento da economia. Fôssemos já ricos, crescer não seria uma prioridade tão absoluta, mas ricos não somos.

No passado, nós, economistas, achávamos que na ausência da poupança doméstica para financiar novas oportunidades de investimento, a externa, ou seja, dos estrangeiros, viria para nossas praias para fechar a diferença. Mas a realidade é que ela vem menos do que imaginávamos (principalmente no caso de economias emergentes), além de ser mais volúvel – os caras se assustam e tiram a grana fácil, fácil.

Se quiser crescer, tem que poupar mais. Onde começar? Nossa sugestão: com um governo que “despoupe” menos!

Publicado originalmente na Coluna do Por Quê? na Folha

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