O que esperar de 2019?

Por em 27 de dezembro de 2018 , atualizado em 14 de dezembro de 2018

Fazer previsão sobre o futuro da economia é sempre negócio muito arriscado em tempos de normalidade.  É um exercício ainda mais incerto quando há mudança de governo e o grupo que assume é formado por gente sem experiência sólida no manejo da coisa pública. Por fim, a cereja que coroa o bolo da incerteza é a presença de discórdia entre os membros do novo governo. É o que já vemos dentro da cúpula de Bolsonaro.

O desempenho da economia brasileira tem sido, já faz muitos anos, sofrível. Isso implica a presença de certa capacidade ociosa que, em tese, deveria facilitar a retomada do crescimento. Apesar de verdadeira, esse hipótese (que os economistas chamam de “convergência”), tem um problema: a capacidade ociosa da economia estava alta já em 2017 e 2018, e mesmo assim o país cresceu 1% ano passado e deve crescer por volta de 1,5% esse ano. Pífio. Que dureza!

De fato, ficamos muito para trás. O gráfico a seguir mostra onde estaria o PIB nacional se desde fins de 2012 tivéssemos crescido apenas 2% todo ano, em comparação com o que de fato ocorreu. Se tivéssemos crescido a modestos 2% desde o fim de 2012 até o fim de 2018, nosso PIB estaria quase 15% mais alto do que se encontra. É uma diferença bem significativa para um período tão curto de tempo. Suponhamos que o país passe a crescer a estonteantes 3% a partir de 2019. Sabe quando alcançaremos a linha vermelha do crescimento constante a 2%? Em 2031! É esse o tamanho da encrenca.

Um país como o Brasil tem capacidade de crescer 3% por um bom número de anos, ou há alguma força sinistra que nos impede?

Claro que tem capacidade, ainda mais se o crescimento da economia mundial seguir bem. Mas o país tem de suar muito na execução de reformas, desde a da Previdência até a do sistema educacional. É uma tarefa hercúlea, mas não impossível. E houve progressos nos últimos anos, incluindo diversas reformas de natureza mais microeconômica (a reforma trabalhista, a criação da Taxa de Longo Prazo), melhora na governança,  transparência do Banco Central, combate mais sistemático à corrupção.

Por outro lado,  há também muita coisa de relevo a ser consertada, problemas de estrutura que podem fazer o trem descarrilar, como a bomba fiscal. O país, vale lembrar, tem déficit primário, ou seja, já está no vermelho antes mesmo de se incluir a conta de juros. É uma dívida de 80% do PIB. Gente, isso não é normal. Não se sustenta.

A invertida fiscal que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes precisam implementar é de monta, e não se chega lá sem uma reforma previdenciária séria e abrangente. Esse é o calcanhar de aquiles do crescimento. Sem essa reforma, as outras perdem potência, porque o Brasil não sai da rota de colisão fiscal. Diga-me o prezado leitor: quem vai investir num país que, certamente, em algum momento, vai bater com tudo no muro?

A lista de coisas a fazer é longa: simplificar o pagamento de impostos e acabar com privilégios tributários; abrir a economia por meio de tarifas de importação mais baixas e acordos comerciais mais amplos; melhorar o ambiente de negócios; revitalizar as agência reguladoras; reduzir em termos reais os salários de várias carreiras de servidores públicos (principalmente do Judiciário); promover uma mudança radical no ensino, incluindo prêmios por mérito na remuneração de professores e diretores das escolas públicas.

Obviamente, não será possível fazer tudo num ano só; talvez nem em quatro. Mas é preciso adentrar por essa vereda com passo firme e habilidade política. O que não pode é o governo começar 2019 batendo a cabeça, e terminar o ano sem reformar a Previdência. Se isso ocorrer, daqui a exatamente um ano estaremos escrevendo um novo texto de prognósticos, com o seguinte título: “Feliz ano velho”.

Finalizamos com um palpite e um pedido: o palpite é que o PIB vai crescer 2% em 2019. O pedido é que o leitor inclua, na sua lista de desejos e realizações para o ano novo, a aprovação da reforma previdenciária.

 

COLUNA DO POR QUÊ? NA FOLHA DE S.PAULO

 

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