O recuo de Moro sobre Ilona Szabó

Por em 7 de março de 2019

Grupos pequenos, organizados e muitas vezes barulhentos frequentemente conseguem que suas demandas sejam atendidas. Trata-se de um conceito em economia e ciência política conhecido como o problema da ação coletiva.

Por terem interesses comuns e serem relativamente pouco numerosos, esses grupos conseguem se organizar com mais facilidade e pressionar autoridades. Já falamos sobre isso no caso dos produtores de leite, que conseguiram manter em larga medida sua proteção contra a competição externa. O custo disso? Fica com o consumidor, que permanece pagando preços mais altos e tem acesso a uma variedade menor de produtos.

Vimos isso se repetir com o ministro Sergio Moro voltando atrás em sua decisão de nomear Ilona Szabo para uma vaga de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. A escolha da especialista causou revolta entre alguns apoiadores do presidente Bolsonaro, sobretudo grupos mais ideológicos. Ilona é uma conhecida opositora de políticas que facilitem o acesso a armas de fogo.

Esse pessoal se mobilizou para barrar Ilona. E Moro rapidamente capitulou. O ex-juiz, que colaborou diretamente para a prisão de empresários e políticos corruptos importantes, não resistiu à pressão de uns poucos gatos pingados.

A presença de grupos de interesse e de pressão faz parte do jogo político. Cabe aos líderes segurarem essa bucha para tocarem as suas agendas. Muitas vezes é de fato politicamente vantajoso abrir mão de algumas coisas mesmo, para conseguir outras mais importantes.

Todavia, o que causa espanto em ambos os episódios foi a rapidez com que as decisões iniciais foram revertidas em favor desses grupos. Passa a mensagem para outros grupos organizados de que é só fazer pressão que o governo logo muda de ideia. E, em última instância, dificulta a vida do próprio governo em implementar sua agenda.

No Brasil há vários grupos pequenos, beneficiários de determinadas políticas governamentais que não necessariamente ajudam o restante da população – como proteção, subsídios, aposentadorias gordas etc. Desmontar esses privilégios é crucial, mas não é nada fácil. Esses grupos se mobilizarão para barrar mudanças que os prejudiquem.

O governo terá muito trabalho em desarmar essas movimentações no futuro, à medida em que propõe sua agenda de reformas. Precisará, no entanto, ser mais firme, e não reverter decisões a todo tempo apenas porque desagradam um grupo pequeno e barulhento.

 

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