Plano de saneamento básico do Brasil atrasará 20 anos. Por quê?

Por em 15 de janeiro de 2016 , atualizado em 25 de julho de 2016

Relembrando, só por chatice: estamos em crise de natureza fiscal.

Duvida? Olhe à sua volta. Se você duvida mesmo, talvez encontre um bocado de camaradas falando uma língua estrangeira. Mas, se você estiver no Brasil, não há como negar: a crise bateu forte.

Notícia recente, e alarmante, resume bem o que uma crise fiscal significa: de acordo com a Folha, a universalização dos serviços de saneamento básico (coleta de esgoto e rede de água) no Brasil terá de esperar até 2050.

Isso é 20 anos depois do prazo previsto anteriormente.

Mas por que isso vai acontecer?

Porque o governo gastou demais durante a bonança e agora precisa cortar investimentos.

Pois bem, o que é esta crise fiscal, na prática? Significa que mais brasileiros vão viver em condições não higiênicas ou insalubres (em bom português: porcas), que afetam sua qualidade de vida e até o desenvolvimento sadio das crianças.

E não são poucos os prejudicados! Dados mais recentes (último Censo) apontam que apenas 54% dos domicílios brasileiro têm rede geral de esgoto ou pluvial e que 82% têm acesso a água da rede geral de distribuição.

Ainda existem importantes diferenças entre os Estados brasileiros. Enquanto São Paulo tem uma cobertura da rede de esgoto de 85%, outros, cuja renda não difere muito da paulista, têm cobertura muito mais baixa – em Santa Catarina, por exemplo, a cobertura é de somente 29% (mas vários Estados têm cobertura ainda mais baixa que Santa Catarina, abaixo dos 10%!).

Por que essas diferenças tão grandes?

Seria um tópico interessante de pesquisa histórica (quem sabe algum dia não estude a questão?). Talvez São Paulo tenha começado mais cedo por ser mais rico ou os governantes paulistas, ao longo dos anos, colocaram mais prioridade no saneamento básico que outros Estados.

Infelizmente, o saneamento básico não recebeu de nossos governos a prioridade que o tema merece.

Temos governos que oferecem universidade pública gratuita, programas de iniciação científica no exterior, aposentadorias polpudas e salários para a elite do serviço público acima daqueles pagos pelo setor privado, empréstimos subsidiados para a indústria e construção de portos em Cuba e outras benesses, umas mais e outras menos meritórias.

Não seria melhor usar parte dessa dinheirama para que nenhuma criança brasileira tivesse de morar perto de um córrego que, quando chove, transborda imundices (das mais escatológicas)?


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