Por que a disparada dos preços do Uber no Rio faz sentido?

Por em 15 de abril de 2019

 

Muita gente ficou revoltada com os preços exorbitantes cobrados pelo Uber durante as chuvas que assolaram o Rio de Janeiro recentemente. Mas tal movimento de preços faz sentido nessa situação. O algoritmo do Uber emula a resposta dos preços à escassez, tal qual acontece em grande parte dos mercados.

Vamos pensar em um exemplo fictício para ilustrar. Suponha que, em uma cidade, o consumo de laranja seja provido pelos produtores mais próximos. Como trazer de longe custa dinheiro, fica mais barato comprar do produtor local mesmo.

De repente uma praga prejudica a produção de laranja da cidade. Entra em ação o sistema de preços. Com a escassez mais aguda, os preços sobem, tornando viável trazer laranjas de fora da cidade.  Há menos laranjas à disposição do que havia antes. No entanto,  se o preço não se mexesse, a situação seria muito pior, porque ninguém se habilitaria a trazer o produto de longe.

Vamos agora aplicar essa lógica ao caso do Uber durante as chuvas no Rio de Janeiro. Se o preço permanecesse o mesmo, pouca gente se arriscaria nas condições pelas quais passava a cidade. Porém, a disparada no preço faz com que alguns motoristas topem a aventura para ganhar uns trocados a mais.

Em outras palavras, se os preços não mudassem, não haveria Uber para ninguém. O preço exorbitante possibilita corridas pelo menos para algumas pessoas – justamente aquelas que topam pagar os valores mais altos.

 

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