Por que Bolsonaro mexe com a bolsa e o dólar?

Por em 18 de outubro de 2018 , atualizado em 24 de outubro de 2018

Mais uma vez temos uma eleição presidencial. E, com ela, subidas e descidas bruscas no preço do dólar (a taxa de câmbio) e no Ibovespa, índice que mede o valor das empresas brasileiras cujas ações são negociadas na bolsa.

Isso ocorre porque eleições presidenciais decidem o destino econômico do país. Grandes questões dependem do resultado da votação nas urnas.

Teremos uma economia aberta ou fechada para o comércio exterior? Nosso governo vai se endividar para construir elefantes brancos e dar aumentos para as corporações de servidores públicos; ou vai administrar as finanças públicas com uma preocupação com a sustentabilidade e o bem-estar do contribuinte e das gerações futuras? Estatais serão privatizadas, possibilitando maior investimento público, ou suas diretorias continuarão sendo usadas como moeda de troca para negociatas políticas?

Com dois candidatos aparentemente opostos no segundo turno, a escolha do eleitor tem consequências concretas de monta. Sempre que as pesquisas de opinião apontam mudanças na probabilidade de vitória de cada candidato, os preços de ativos imediatamente refletem a avaliação do mercado sobre as alternativas de política econômica na cédula eleitoral. Se o mercado acha que as políticas de João podem ser ruins para a economia, o dólar sobe e a Bolsa cai quando João sobe na pesquisa.

Mas por que então temos visto tantos movimentos bruscos no dólar e na Bolsa em uma eleição em que todas pesquisas de opinião apontam um único candidato, Jair Bolsonaro (PSL), como um claro favorito?

A eleição atual é diferente. Enquanto parece haver pouca incerteza sobre o provável vencedor do pleito, há ainda dúvidas sobre suas políticas econômicas. Muitos entendem que a presença proeminente de um economista pró-mercado em seu time (Paulo Guedes) sinaliza o tom da política econômica ano que vem.

Mas o sinal se contrapõe ao histórico legislativo do candidato em seus 30 anos no baixo clero da Câmara dos Deputados, e a declarações suas que parecem indicar que ele está menos inclinado a privatizar estatais ou reformar a Previdência do que seus auxiliares econômicos.

Muitas questões econômicas são complexas e posições favoráveis ou contrárias podem ser justificadas racionalmente. Mas algumas questões não oferecem nuance: defender o monopólio estatal das telecomunicações é injustificável, ainda mais para quem se lembra de que linhas telefônicas na periferia de São Paulo chegavam a custar mais de US$ 10 mil.

Podemos realmente confiar num deputado que votou contra a quebra do monopólio estatal do setor de petróleo e das telecomunicações para entregar boa política econômica?

É certamente possível que o deputado a favor de monopólios estatais não exista mais. As pessoas evoluem, aprendem com a experiência de vida, amadurecem e escapam de erros passados. Mas a aposta que tem sido feita no amadurecimento do deputado é apenas isso: uma aposta. A cada oportunidade em que seu passado estatizante reemerge em suas declarações vamos ter sobressaltos desagradáveis no mercado.

Apertem os cintos, solavancos à frente!

Coluna original publicada na Folha.com

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