Por que o Brasil é ‘refém’ da China?

Por em 4 de agosto de 2015 , atualizado em 31 de julho de 2016

BRASIL-CHINA

Saber qual o peso que a Vale (aquela antiga Vale do Rio Doce, privatizada em 1997) na economia brasileira ajudará você a entender parte da dependência do Brasil em relação à China.

Vamos nessa, meus caros e caras? Então, simbora!

Bem, a empresa brasileira é uma das maiores exportadoras de minérios do mundo. É a segunda maior produtora em escala global, atrás só da anglo-australiana Rio Tinto. E, em busca da liderança perdida em 2015, está investindo a bagatela de US$ 18 bilhões para aumentar sua capacidade em 50% em dois anos.

Por que isso é importante para a economia nacional?

Ora, pois, porque o minério de ferro, carro-chefe da empresa, embora esteja em atual queda de participação, segue dominando parte significativa das exportações brasileiras: em 2010, respondia por 18% do total; hoje está na casa dos 6% (mesmo nível de 2008). Portanto, quando as exportações da Vale sobem, nossa balança comercial tende, do mesmo modo, a melhorar seu saldo positivo. E vice-versa (retomaremos este ponto em negrito mais abaixo, amigas e amigos).

Mas o que raios a China tem a ver com esta história mesmo?

A Vale exporta nada menos que 50% de TODA a sua produção para a China, meu povo. É isso aí: metade de TUDO que a Vale produz é vendida para os chineses.

(Outros 15% vão para demais asiáticos; 16% para Europa; e os 4% restantes são divididos em diversos países – totalizando 85% de produção exportada.)

Com esses números fica fácil perceber: a China precisa ir bem das pernas para a Vale ter o mesmo sucesso.

O governo chinês investiu feito louco nos últimos 15 anos em infraestrutura, moradias e desenvolvimento das cidades. Esse modelo de desenvolvimento procurou incentivar a migração do trabalhador do campo para as cidades – ou seja, turbinar o processo de urbanização do país, bem atrasado na comparação com o restante do globo.

Mas o que acontece quando o camponês pega mala e cuia e se manda para a cidade grande? Novas necessidades aparecem: transporte, estrada, geladeira, ar-condicionado, fogão, coisa e tal. E qual é a matéria-prima essencial disso tudo?

A-há! Ponto positivo para quem respondeu “minério de ferro”.

Logo, se o crescimento chinês impulsionar a Vale, fará o mesmo com o resultado comercial do Brasil.

O problema: algo está mudando na China. Depois de tanto investir, o pessoal de Pequim pisou no freio. A economia chinesa dá sinais de estagnação entre os setores de construção e infraestrutura. Nessas praças, o país não é mais o colosso de outrora. E, para piorar, o preço do minério de ferro tem caído e caído e caído nos últimos 12 meses.

Eis, enfim, a parte chata (bem chata, digamos) disso tudo: o tal vice-versa em negrito aqui e mais acima.

A lógica negativa também se aplica na trinca Vale/China/Brasil: quando os resultados financeiros da Vale sofrem com a paradeira de certos setores chineses, o mesmo efeito negativo recai sobre a balança comercial brasileira.

A Vale é grande exemplo da dependência do Brasil em termos de China. No mês de julho, minha gente, incluindo outros itens além do minério de ferro, o país asiático foi aquele que mais comprou do Brasil: o equivalente a US$ 4,1 bilhões. O segundo colocado, os EUA, foi responsável por US$ 2,1 bilhões das exportações brasileiras, praticamente a METADE do comprado pela China do Brasil.

Continha rápida para termos ideia do quão “refém” da China é a exportação nacional: em julho, a soma de toda a venda de produtos do País para EUA, Argentina, Países Baixos e Chile (maiores clientes do Brasil, fora a China) está somente pouco acima do montante pago pelos chineses por produtos brasileiros. E quem diz isso não sou eu não! Está lá, nos registros mais recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Veja aí este gráfico em forma de pizza. Ele ajuda bastante a visualizar a situação:

Pois bem. O quadro pintado aqui, mais uma vez, escancara o quão nocivo pode ser para qualquer economia do mundo a falta de tratos comerciais com parceiros variados. A parceria com a China é fundamental, sim. Mas, do jeito que a coisa está, caso Pequim tome uma rasteira, também perigamos cair de pernas para o ar e ter nossos fundilhos expostos.

Oremos, senhoras e senhores, para fugir dessa cilada. Alguém aí sabe rezar em mandarim?

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