Por que os discos de vinil estão de volta?

Por em 19 de julho de 2017

por que os discos de vinil estão de volta

Bastam poucos toques no celular, um fone de ouvido e estamos ouvindo nossas músicas preferidas. Muito diferente do longínquo ano de 1948, quando surgiu o disco de vinil. Mesmo assim, em dias atuais, a Sony – uma das maiores empresas voltadas à mídia no mundo – anunciou que voltará a produzir álbuns em discos de vinil.

A evolução da forma de ouvir música daquele tempo pra cá é brutal, e a economia – como sempre – está ligada a esses movimentos.

A indústria da música viu oportunidades em ampliar o mercado de discos de vinil com o surgimento e crescimento do rock, a partir de 1955. Mas para se ouvir um disco de vinil é necessário uma vitrola ou um gramofone. E esses são grandes demais e, provavelmente, não sairão da sua casa.

No final da década de setenta, a fita cassete e o quase extinto walkman proporcionaram praticidade à música: mais tempo para a reprodução de músicas e a possibilidade de escutar seus cantores e bandas preferidos longe de casa.

Logo depois veio o CD, que ainda sobrevive.

Mas, com a chegada da internet, vieram o MP3 e vários tipos de aparelho foram introduzidos, como os iPods. Com o tempo, tablets e celulares passaram a comportar arquivos de música em MP3 e formatos semelhantes.

Com muita memória armazenada para se ouvir músicas pelos arquivos de MP3 e afins, chegaram os serviços de streaming, como Spotify e Deezer. Eles diminuem o espaço armazenado e ampliam as opções de música que se pode ouvir em qualquer lugar.

E nessa história toda, o que podemos observar? Sobretudo, como as novas tecnologias são importantes.

O processo de inovação propicia a introdução de novas formas de entregar o produto ao consumidor – seja de uma maneira mais barata, reduzindo custos de produção; seja aumentando a qualidade do produto, por exemplo, propiciando que música seja escutada mais facilmente fora de casa.

Nessa toada, tecnologias novas vão substituindo as antigas. Em economia, frequentemente esse processo é chamado de “destruição criativa”: uma nova tecnologia é criada, destruindo a anterior.

Veja o caso de aparelhos de TV. Há até poucos anos, as pessoas tinham pesadas TVs de tubo em suas casas. Algumas eram verdadeiros móveis, interferiam na decoração de uma sala de estar de maneira bem mais relevante que os leves modelos atuais. Com a chegada de TVs de plasma e LCD, os trambolhos sumiram do mapa. Foram completamente substituídos.

Vemos algo parecido na música, com novas tecnologias substituindo as antigas. Mas, nesse caso, não de forma tão radical. Discos de vinil foram perdendo espaço ao longo das décadas, mas ainda estão por aí, ganhando novos colecionadores. Recentemente ganharam mais força, como dissemos no início desse texto. Sinal de que os esses dois produtos – escutar música com vinil e escutar música em tecnologias modernas – não são exatamente “substitutos perfeitos”.

Em economia, dois produtos são “substitutos perfeitos” caso a única coisa que importe para o consumidor na hora de comprar seja o preço – ele sempre opta pelo produto mais barato. Por exemplo, escutar música via MP3 ou streaming é bem mais barato do que com discos de vinil. Se eles fossem substitutos perfeitos, o vinil já deveria ter virado peça de museu.

Isso não ter ocorrido indica que a substituição entre os dois bens não é perfeita. Eles não entregam a mesma coisa ao consumidor.

A volta do vinil, assim, parece estar ligada às preferências dos consumidores.

A ideia do retrô, do nostálgico, a felicidade ao tocar e ver uma capa de álbum, mudar o disco de um lado para o outro, ter percepções musicais diferentes, dedicar o tempo para ouvir música e escutar com mais atenção… São coisas diferentes que podem ser proporcionadas por um disco de vinil, uma vitrola e suas caixas de som.

E como sempre, as empresas de mídia estão atentas à demanda de seus consumidores. Se voltaram a produzir, é por haver espaço no mercado audiovisual.

 

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