Qual o ‘milagre’ capaz de salvar a economia do Brasil?

Por em 26 de novembro de 2018 , atualizado em 29 de novembro de 2018

Independência do Banco Central é bom? É, mas não faz milagre.

Privatizar empresas públicas é bom? É, mas não faz milagre.

De que espécie de milagre estamos falando? Ora, só há um que salva o Brasil: o milagre fiscal!

Vamos fazer uma continha aqui? Aguenta a mão que as formuletas são simples. Começamos chamando de “r” a taxa de juro real que incide sobre a dívida; de “g”, a taxa de crescimento da economia –  se nada acontece, mas há algum crescimento, como proporção da economia a dívida vai caindo, certo? – e de “d”, a dívida hoje como proporção do PIB. Ah! E o que buscamos é um cara chamado de “sup”, o superávit primário, que faz com que a dívida pública fique estável.

Pois bem. Para dívida não crescer, a economia de gastos primários (ou seja, gastos totais menos os gastos com juros) sobre a arrecadação – dado que são esses recursos que abatem a dívida – precisa ser a seguinte:  sup = (r-g).d

A explicação é a seguinte: r.d é o componente de crescimento natural da dívida, puxado pela conta de juros. E o – g.d é o componente natural de decréscimo da dívida puxado pelo crescimento econômico. Veja que se o r é maior que o d, a dívida só deixa de crescer se o superávit primário for positivo, o tal sup da formula.

Vamos colocar números nessa sopinha de letras. No Brasil, a divida é de 0,80, ou seja, 80% do PIB. O valor do (r-g) depende de seu grau de otimismo quanto ao futuro. Nós aqui vamos de r=4% e g=2% (faça a conta com outros números para ver que bicho que dá). Bom, nesse cenário, precisamos, apenas para estabilizar a dívida, de um sup de 08*(0,04-0,02) = 1,6% do PIB. Para que ela caia, precisamos de mais ainda!

Hoje o quadro é de um déficit de 2,5%, ou seja, nosso sup = -2,5%. Para irmos de -2.5% para +1.6%, vai ser necessário um baita rearranjo fiscal. Precisaremos cortar gastos correntes e possivelmente elevar um pouco os impostos. E, mais importante de tudo, reformar a Previdência.

Perto dessa, as outras reformas são fichinha, brincadeira de criança.

 

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